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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Uma referencia...uma história... Um mestre

A 35 anos atras foi a meu primeiro show em um teatro, foi no Salão de Atos da UFRGS para assistir Nelson Coelho de Castro do lançamento do disco Juntos, primeiro disco independente gaúcho realizado através de venda de bônus prévio, ou seja, foi o primeiro realizado com financiamento coletivo. Já conhecia o trabalha do Nelson pela influencia de algumas primas mais velhas e  através da Radio Continental, mas aquele show foi o primeiro contato que tive com um musico (opa! foi o segundo...o primeiro foi Tulio Piva quando eu ainda era criança) e foi o primeiro cantor gaúcho que me chamou a atenção e comecei a acompanhar de perto. A partir dele fui estendendo minha atenção e outros nomes importantes como Carlinhos Hartlieb, Bebeto Alves, Nei Lisboa e nunca mais parei...
Nelson tem uma trajeto incrível, sempre manteve a cidade de Porto Alegre como sua principal referencia e inspiração, sempre compôs e cantou sua s vivencias e experiencias na cidade é impossível para quem vive em Porto Alegre não se identificar com suas musicas. Mais do que gaúcho Nelson é um compositor porto alegrense cada expressão, cada gíria usada nas musicas nos remetem a cidade em seus mais diversos momentos... suas musicas são quase cronicas de rotina de quem vive ou viveu aqui.

 
Nelson participou da coletânea Paralelo 30, primeiro de musica popular de Porto Alegre com a musica Rasa Calamidade onde faz uma critica social, a musica é um retrato da Vila Cruzeiro do Sul, sua miséria e sua luta. Posso citar muitas musicas que que fizeram parte da minha vida desde a adolescência (quase infância), a primeira na minha memoria é, sem duvida alguma, Faz a Cabeça, lembro de ver um clipe que a TV Gaucha (hoje RBS TV), que eles passavam sempre em um ultimo bloco do Fantástico - eu confesso, enquanto este quadro permaneceu era o grande fator motivador que eu tinha para assistir o Fantástico, esperava ansiosa pelo clipe da semana. A musica Aquele tempo do Julinho, se tornou um marco para os alunos do Julinho e uma referencia importante aos confrontos durante o período militar e não tem como deixar de falar em Armadilha, composta em parceria com Dedé Ribeiro e que fez parte da trilha do filme Verdes Anos, nunca esqueci a letra desta musica, desde os anos 80 sei ela de ponta a ponta, sem contar o fato que sempre me emociono, é impossível conter as lagrimas...
  
Fazia muito tempo que Nelson não se apresentava em um show seu, nos últimos anos, sua constância nos palcos é sempre em projetos com outros musicos com o Show Juntos onde esta ao lado de Bebeto Alves, Antonio Villeroy e Gelson Oliveira ou no Show Perola no Veludo ao lado de Monica Tomasi. O Show dos dias 10 e 11 de setembro foi bem a cara de Nelson, que chegou de mansinho, voz e violão, bem suave mostrando toda qualidade e beleza desse trabalho que vem desenvolvendo ao longo de todos estes anos...claro que cada um daqueles que estava no show sentiu falta de uma ou outra musica emblemática no repertorio da noite, mas as principais musicas estavam ali bem como os convidados que se fizeram presentes e abrilhantaram a noite. 
  
Nelson Coelho de Castro é um mestre, com toda sua simplicidade e humildade, até mesmo uma certa timidez (pelo menos é isso que me passa) é referencia importante para muito músicos que o seguiram além de ser um ícone para quem conhece e acompanha a trajetória da musica urbana gaucha. 
  
Senti uma emoção especial por estar presente a este show, ver Nelson cantando suas musicas e compartilhando com seu publico foi muito especial. Com convicção e provas, tenho certeza que  Nelson é o mais portoalegrense dos nossos compositores, a grande maioria de suas musicas passeia direta ou indiretamente pela cidade.

  

  
  

  

  
 




























terça-feira, 16 de agosto de 2016

Ao Samba o que é do samba...A Glau o que é de Glau.

Em menos de um mês acompanhei três shows de Glau Barros, admito que pela proximidade que tenho com o trabalho da Glau, vai fazer um ano que fotografo os principais shows que ela realiza, ao mesmo tempo que me sinto  suspeita para tecer um comentário sinto-me com autoridade suficiente para faze-lo.

Tem sido um período de muito trabalho, lembrando Milton Nascimento:
"Foi nos bailes da vida ou num bar em troca de pão,
que muita gente boa pôs o pé na profissão
de tocar um instrumento e de cantar
não importando se quem pagou quis ouvir..." 

Vai-se cantando de bar em bar, pelo menos nos principais que tem musica ao vivo, mostrando o trabalho aos pouquinhos, formando publico, lutando por um pequeno espaço, uma oportunidade... na pratica, vida de cantor não tem glamour, tem muito trabalho, dedicação, persistência  e teimosia, poucos conseguem viver da musica, mas quem tem a musica dentro de si não desiste. Acompanhar de perto o trabalho da Glau, ver as dificuldades enfrentadas e principalmente as conquistas e o crescimento profissional dela me enchem de orgulho.

Em 20 de  julho assisti o primeiro show da Glau em um teatro, foi dentro do projeto Quilombo do Quintana que é uma parceria do Coletivo Montigente com a Casa de Cultura Mario Quintana, o primeiro desafio era levar o publico ao teatro, cantando em um bar a maioria das pessoas não vão pela musica mas no teatro é diferente... A primeira grande vitoria foi ver um numeroso público no saguão e depois acomodando-se e ocupando praticamente todas as cadeiras do teatro, quando Glau subiu ao palco foi impossível conter a emoção, parece que ela cresceu quando subiu naquele palco, sempre escutei as pessoas falarem que Glau tem uma grande presença de palco e foi só coloca-la em um palco de verdade que mostrou toda sua força e brilho. 
 

Praticamente uma semana depois deste show no Teatro Bruno Kieffer, dia 25/07,  foi a vez de de ve-la subir ao palco do Teatro Renascença no Show coletivo As Vozes de Dandara onde dividiu o palco com outras grandes vozes femininas,  Foi um grande espetáculo onde mais uma vez Glau mostrou o melhor de si, a cada apresentação ela cresce e se supera.

Na última sexta-feira, dia 12/08 , dia em que Clara Nunes completaria 74 anos, Glau Barros subiu novamente ao palco, desta vez no Café Fon Fon e mais uma vez mostrou todo seu talento e carisma. Foi uma noite de grandes emoções onde a cada canção Glau mostra tudo sua sensibilidade e empatia ao cantar, seja ao homenagear um artista especifico ou quando tentar expressar o que o compositor quis dizer... Quem tem acompanhado o trabalho de Glau consegue perceber como ela esta cada vez mais segura, esta em um grande momento, ganhando visibilidade e formando um publico maior. Glau Barros esta no seu momento, aproveitando cada brecha para mostrar sua qualidade vocal e seu grande talento...

Ainda ouvirão falar muito esta grande e talentosa cantora...fiquem atentos as próximas apresentações, quem fizer isso não irá se arrepender. Tenho acompanhado isso, cada pessoa que conheço e que assiste a uma apresentação da Glau Barros sai de lá encantada pelo talento, simpatia e carisma.