quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O Desenho através de diferentes olhares e identidades


 






A semana começou com novidades, dia 14, segunda-feira, estive na abertura da exposição Identidade:Desenho uma exposição coletiva com a participação de diversos artistas, alguns deles eu conhecia o trabalho outros não... 
Minha primeira surpresa foi o local da exposição, afinal, na minha ignorância, mesmo passando constantemente em frente a Prefeitura não tinha ideia do que era a Galeria de Arte que ela possui, o espaço é lindo e além de exposições permanentes abriga exposições temporárias. Aquele porão é um espaço sensacional...
  
A exposição é muito interessante,  são mais de 10 artistas que mostram desenhos nas suas mais variadas formas, mostrando as diferentes possibilidades da técnica e a individualidade de cada um, tudo em perfeita harmonia.
  
Mesmo sendo obras muito deferentes uma das outras são colocadas na exposição de maneira que levam a uma narrativa comum, elas falam entre si, interagem perfeitamente entre elas e com o espaço onde estão explorando a questão ambiente, luz e sombra com muita habilidade, mérito dos curadores Fabio Andre Rheinheimer e Anaurelino Barros Neto que fizeram um grande trabalho ao escolher as obras e a disposição das mesmas dentro da galeria, existe um dialogo constante entre as obras e o visitante que esta a contempla-las.  
 

Em frente a algumas obras, pelo traçado do desenho e a força da imagem senti forte inquietação, até mesmo uma certa pertubação, em frente a outras me senti elevada a um momento mais festivo, outras traçam um relato despretensioso do cotidiano mas com um efeito surpreendente...
A exposição fica aberta até 15/01/2016 vale a pena conferir o trabalho destes artistas e conhecer este espaço de cultura e arte tão próximo de todos e ao mesmo tempo tão desconhecido...
    

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Dica de CD: Cantiga de Silvia Nicolatto

Uma amiga me entregou um CD e pediu que eu escutasse... Trouxe do evento SIM São Paulo que participou no inicio deste mês, disse que tinha certeza que eu iria gostar...
 O CD se  chama Cantiga e a cantora é Silvia Nicolatto. 
Minha primeira reação, olhar a contra capa... 10 musicas, todas autorais e algumas parcerias interessantes com João Cavalcanti, Fernando Brant e Nelson Angelo entre  outros, isso já era um bom começo afinal, admito, não tinha a menor ideia do que iria escutar.

O disco é muito bom... letras de grande simplicidade que remetem a situações triviais do dia a dia que nos aproximam e unem... Silvia canta o cotidiano com uma leveza e delicadeza encantadora. Com voz suave e recadada vai do samba, baião, xote, bossa nova entre outros ritmos tendo inclusive participado de gravações eruditas sob a regência de Isaac Karabitchessky.  

Cantiga é o segundo CD de Silvia e merece ser ouvido de ponta a ponta, todas as canções com muita atenção,mais de uma vez, inclusive... Canoa, Canoa é lindíssima, uma bela homenagem aos povos indígenas do pais e suas lutas, enquanto que em Seis a Tarde fala dos problemas cotidianos que é a volta pra casa, o stress do fim de tarde em uma cidade de uma maneira que te remeta a calma...que realmente te tira desta realidade caótica e te leva a outro lugar...

Silvia Já cantou no coro em discos de Francis Hime, Olivia Hime, Jards Macale, Casuarina e Zé Calixto e tem na sua carreira shows na Inglaterra, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Vale a pena dar uma pesquisada e procurar saber um pouco mais sobre o trabalho desta mineira... mais um talento, entre tantos que andam por aí, que o Brasil desconhece.


domingo, 13 de dezembro de 2015

A identidade da cor e o charme do funk...

Sexta, dia 11, a tarde estive no Salão de Atos da UFRGS para assistir a peca "Qual e diferença entre o Charme e o Funk?", a peça esteve em temporada em vários locais da cidade durante o ano de 2015 e que fez parte da Mostra de Teatro Pesquisa e Extensão (TPE) do DAD-UFRGS, mas sempre havia uma coisa ou outra e nunca ia assistir...  exatamente no dia da entrega do Premio Açorianos de Teatro em que esta peça estava indicada em 5 categorias, foi finalmente o dia!

Minha primeira surpresa foi chegar a reitoria 45 minutos antes do horário de inicio do espetáculo já havia uma fila considerável de pessoas e até as portas se abrirem o numero só aumentou... pois sim, em uma sexta-feira as 14:30 a apresentação do espetáculo teatral "Qual a Diferença entre o Charme e o Funk? lotou o Salão de Atos... mesmo sendo uma apresentação gratuita este é um feito dificil de acontecer em, digamos, horário nobre, muito mais ainda, no meio da tarde em um dia de semana...

No saguão da reitoria mais uma surpresa, fomos recepcionados com uma performance das atrizes Silvana e Kyky que, enquanto uma  oferecia vinho e pão aos que se aproximavam a outra fazia benzeduras com ervas.

Depois de todos devidamente acomodados e de algumas palavras do diretor a peça tem inicio e já a primeira cena impressiona e arrepia pois realmente nos remete a ancestralidade africana. O texto é uma construção coletiva baseada nas memorias, vivencias e histórias contatadas e compiladas pelos próprios atores, encaixadas em um mosaico de verdades secretas, com relação a racismo, pobreza, identidade de gênero que gritam ao nosso redor e que a maioria das pessoas fingem não ouvir...

Não interessa a cor da pela de quem estava no palco ou na plateia, todos nos identificamos com o que assistimos...o Brasil é um pais propositalmente mestiço, a ideia inicial dentro de politicas publicas em  ser tolerantes, aceitar e inclusive promover esta mescla de raças tinha o intuito de branquear o Brasil no entanto, quando a mistura passa a fazer o processo inverso, quando começa a "escurecer" familiais este processo de "mestiçagem" já não é tão bem visto e isso coloca em evidencia nosso racismo... Hoje vivemos um período estranho na história do pais, passamos por um evidente retrocesso com o risco de perda de conquistas importantes adquiridas com tanto sacrifício e luta não só com relação ao movimento negro, mas também as questões femininas, de gênero, religiosas... parece que uma minoria  (poque sim, são minoria) tem medo de tudo que perece diferente e através da conqui$ta do poder politico querem tratar de exterminar tudo que incomoda suas mentes pequenas, essa minoria tem medo do que não compreende. 

  
Não acredito que leis mudem alguma coisa de fato, apenas inibem alguns tipos de manifestações mas o preconceito a rejeição permanecem e podem, inclusive ficar ainda mais fortes, mesmo que latente, o importante mesmo é trabalhar as causas de todo e qualquer tipo de preconceito... que realmente as pessoas se vejam como seres humanos...como iguais...Utopia? Talvez... mas ainda prefiro sonhar e colocar meu grãozinho de areia para transformar essa utopia em realidade do que simplesmente desacreditar...
 
Mas voltando ao teatro... pois bem, quando os atores Bruno Cardoso, Bruno Fernandes, Camila Falcão, KyKy Rodrigues, Laura Lima e Silvana Rodrigues dirigidos por Thiago Pirajira, saíram do palco, depois de uma pequena conversa que aconteceu com eles e alguns convidados após a peça, voltei para casa e passei por momentos de grande reflexão. Hoje escrevo este texto, então... que mais posso dizer... Só posso parabenizar o trabalho grupo de atores e seu diretor pois cumpriram com seu papel de mexer com conceitos e causar uma reflexão ( pelo menos em mim - acredito não ter sido a unica)... Para aqueles que ainda não assistiram a peça só digo que fiquem atentos e assim que entrem em cartaz novamente estejam lá, não percam esta oportunidade...eu já assisti mas posso garantir que se houver novas apresentações, vou ir...

 

Nota: Dos cinco Açorianos que a peça concorria conquistou o Premio de Melhor Trilha, que por sinal é belíssima, muito bem escolhida e realizada ao vivo.

 





  


 



  

















sábado, 12 de dezembro de 2015

Pelos caminhos da fotografia... 40 anos de trajetória

Dia 08, aconteceu no Museu de Comunicação Hipólito Jose da Costa a abertura da exposição "Por Onde Andei..." de Jorge Aguiar, que faz uma recompilação dos principais trabalhos de sua carreira. São 30 fotografias em preto e branco que retratam com beleza e humanidade o lado esquecido e que a maioria das pessoas preferem fingir não ver das paisagens cotidianas das cidades... suas periferias.

Antes de falar da exposição preciso fazer um mea culpa... esta foi a primeira vez que entrei no Museu da Comunicação, e me envergonho disso... pois na correria do dia a dia esta visita sempre ficava para depois... e o museu merece ser visitado e muito mais que uma unica vez...precisarei de muitas visitas para me redimir do tempo perdido...

Jorge Aguiar trabalha com fotojornalismo e fotografia documental, neste tipo de fotografia, pelo que entendi, o fotografo muitas vezes passa longos períodos de tempo dentro da comunidade a ser retratada,  meses inclusive, acredito que isso dê boa parte da emoção e sensibilidade de cada fotografia. Mesmo nas cenas mais fortes e impactantes se percebe um certa empatia entre fotografo e retratado... onde até mesmo as imagens do presidio central conseguem nos comover e emocionar. Impossível não lembrar da celebre frase de Che Guevara nestes momentos: "hay que endurecerse pero, sin perder la ternura..." Jorge também desenvolve a mais de 18 anos desenvolve o Projeto Luz Reveladora Photo da Lata em periferias ministrando oficinas pinhole a jovens e adultos em  áreas de vulnerabilidades sociais. 

Mas a terça-feira, dia 8, além de nos apresentar essa seleção de imagens muito bem escolhidas e distribuídas em uma das salas de exposição do Museu, parte onde Jorge contou com a ajuda dos amigos fieis e parceiros Zezé Carneiro e Otávio Teixeira,  dois grandes fotógrafos desta cidade, também foi um momento de festa e confraternização... estavam presentes na abertura da exposição, familiares, amigos, colegas de profissão e muitos admiradores da fotografia. 
Me senti extremamente honrada e feliz em ter tido a oportunidade de estar presente na abertura desta exposição e ter conhecido alguns dos grandes nomes da fotografia local. 

Fotografo com vários prêmios nacionais e internacionais, inclusive o Prêmio Direitos Humanos UNESCO em 2003-projeto Photo da lata e tendo realizados diversas exposições coletivas e individuais, a exposição que esta no Museu da Comunicação fica aberta para visitação até 15 de janeiro sendo que, dia 16/12, a partir das 14:30 o artista, por que fotografia é uma arte, solitária pois mostra a realidade através do olhar de um individuo, estará no museu para uma visita guiada a exposição "Por Onde Andei", será uma ótima oportunidade para os amantes da fotografia visitarem  a exposição e terem uma conversa interessante com seu autor.