terça-feira, 10 de novembro de 2015

Empoderamento Negro na CCMQ com o Coletivo Montingente

Em novembro, mês da Consciência Negra o Teatro Bruno Kieffer da casa de Cultura Mario Quintana recebe em seu espaço o Coletivo Montigente e seu Novembro Empoderado, uma mostra cultural onde apresentarão suas três peças: Enquanto Ensaio, A Filha da Escreva e Encanto Zumbi além de ter uma pequena feira no saguão do teatro com produtos e serviços afro. 

Coletivo Montigente é um grupo da teatro que tem como preocupação trazer aos palcos a temática da história do negro brasileiro. A mostra teve sua abertura dia 05/11 com um sarau poético, musica, poesia e uma roda de conversa que teve a participação especial de membros dos grupos Sopapo Poético e Tambor Falante.  

Na sexta, dia 06/11 fui ao teatro para assistir  A Filha da Escreva, um texto de Arthur Rocha (1859-1888)dramaturgo, poeta e jornalista. Fez parte de um grupo de intelectuais negros livres no final do seculo XIX, que tomaram posições radicais através da imprensa,na critica a sociedade da época, defendendo a abolição da escravidão. Em 1877, adquiriu a tipografia do Diário de Notícias de Porto Alegre, fundando o Correio da Tarde. Redigiu o Artista, de tendência liberal, foi membro da Sociedade Pártenon Literário e lutou pelo abolicionismo. A história com temática abolicionista, mostra de forma sensível o quão injusta e mesquinha era a lei do ventre livre e como eram as relações soberanas dos jovens senhores brancos com suas escravas. A peça nos leva a uma reflexão não só sobre a situação dos negros durante o seculo XIX mas também nos permite refletir sobre a situação na sociedade , após a peça os assistentes foram convidados a participar da um Conversê sobre "O ator negro e o racismo". A Filha da Escrava volta ao palco do Teatro Bruno Kieffer dia 13/11.


 O Novembro Empoderado do Coletivo Montigente ainda tem a peça " Enquanto Ensaio..." na quinta-feira, dia 12, que trata de dois atores negros que ensaiam uma apresentação para o aniversário da avó e durante o exercício refletem sobre suas frustrações, dificuldades em se manter na profissão e suas escolhas artísticas abordando questões sociais importantes  de uma maneira leve e divertida. 

A Mostra encerra nos dias 19 e 20 de novembro com a apresentação d Musical Encanto Zumbi que é o trabalho de conclusão de Gil Collares - diretor e ator- para o Curso de Teatro UERGS em 2014 baseado na obra de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri  "Arena Conta Zumbi" que em janeiro de 2015 lotou o Teatro Bruno Kieffer em uma curta temporada de três dias. 

Esta é uma excelente oportunidade de conhecer o belo trabalho realizado pelo Coletivo Montigente sob a direção de Gil Collares, não deixem de conferir!!!
























segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Tom Zé... um adorável transgressor


Na ultima quinta-feira, dia 05, aconteceu o ultimo Show do Projeto Unimusica promovido pelo Departamento de Difusão Cultural da UFRGS, me programei e assisti a todos os espetáculos do projeto, destro de série Irreverentes, desde junho, passaram pelo palco do Salão de Atos da UFGRS  Arrigo Barnabé, Jads Macalé, Walder Wildner, Luiz Melodia, Carlos Careqa fechando com Tom Zé.

Confesso conheço a trajetória de Tom Zé e sua importância histórica principalmente como um dos precursores da Tropicalia e por ser uma das figuras mais originais da musica popular brasileira, passando uma imagem de excentricidade e exagero mas de seu trabalho musical propriamente dito admito que conhecia e ainda conheço muito pouco, restringindo-me basicamente ao pouco que toca na rádio. 

Fiquei tão impactada com o que assisti na reitoria quinta-feira que precisei de algum tempo para processar a informação...em primeiro lugar Tom Zé não é apenas irreverente, ele é um total transgressor de toda e qualquer ordem pre estabelecida, ele foge de toda e qualquer ordem pre estabelecida que possa vir a engessá-lo em convencionalismo.

Ao contrario dos outros meses onde a  entrevista aberta aconteceu um dia antes, a de Tom Zé foi na tarde de quinta-feira, com uma conversa descontraída, animada e muito produtiva seguida da passagem do som. 



 
                                                                                                                              Fotos Entrevista e Passagem de som : James Santos



Antes de iniciar o show ele surpreende o publico que aguardava em um auditório lotado desde as 19:30 ( um grande numero de pessoas que ficaram de fora devido a lotação esgotada), inesperadamente surge no palco, sozinho, e diante da aclamação de todos esclarece que ainda não era o inicio do show mas que, como ele estava esperando sozinho no camarim, sem fazer nada, acho melhor ir esperar ali, onde todos também estavam sem fazer nada e conversar um pouco...a partir daí as histórias foram surgindo de forma natural até que indicaram que já estava tudo em ordem para começar.

Depois do tradicional vídeo de abertura Tom Zé mais uma vez surpreende pois, ao contrario do que é comum, a banda se posicionar e depois de tudo organizado o artista entrar já ao som dos primeiros acordes, ele entre sozinho e, um a um vai apresentando com muita alegria e familiaridade os músicos que o acompanham e só então começa oficialmente o show... Entre musicas e conversas aquele jovem de 79 anos deixa a todos atônicos com tanta energia, corre de um lado para outro do palco, dança, pula se diverte muito... brinca com a plateia, faz propaganda dos discos com jingle e tudo. Ao pegar o violão a começar as primeiras notas de Xique Xique o publico fica de pé e se põe a dançar em seus lugares, alguns instantes depois Tom Zé convida as pessoas a subirem ao palco e neste momento assisti algo bárbaro...talvez, a desordem mais bem organizada da história dos shows em Porto Alegre. Uma boa quantidade de pessoas foi subindo ao palco, brincando e dançando de um lado para outro, com muita alegria e descontração mas respeitando o espaço dos músicos e ao final da musica as pessoas que estavam em cima do palco se ajoelharam e fizeram uma reverencia aos artistas... foi realmente um momento de grande emoção. Depois disso, foram mais uma ou duas musicas o show chega ao final  e mais uma vez Tom Zé muda o roteiro normal e ao invés de dirigir-se  ao camarim  vai direto para o saguão da Retoria onde pode ter contato com todas as pessoas ali presente, dando autógrafos e tirando fotografias e foi a oportunidade de quem não conseguiu entrar no show estar perto deste grande artista.

O que mais dizer de um artista como este...ele é único!!! de uma energia e simplicidade que assombram, grande talento e genialidade... Tom Zé sempre espantou e surpreendeu as pessoas o tempo passou e isso não mudou... ele encanta e fascina, Tom Zé sempre foi um artista que eu compreendi pouco, como disse conhecia sua importância histórica mas não seu trabalho, só este show me fez compreender a verdadeira grandeza deste grande personagem!!!


































Nota: algumas fotos podem estar desfocadas mas não tinha como deixar fora desse registro.